Brincando e aprendendo!!!

As histórias ficam, as personagens se imortalizam!!!

Leitores Especiais!!

domingo, 25 de outubro de 2009

Diacronização!!!

Diacronização

Eu convoco Vossa Mercê para me ouvir
Não que Vóis Mercê não tenha participado
É que Vós Mecê faz parte da minha pátria
Você é meu irmão e não ficará à míngua

Se Ocê não puder ou não lhe convier admitir
Saiba: estará lá se houver palavreado
Porque é brasileiro e faz parte da mátria
Eu e temos grandes papéis nesta língua

Eu e Ocê somos responsáveis por isso
Sou um falante tanto quanto o é Você
E Vós Mecê sabe e muito bem disso!

A Língua Portuguesa vem desde a colonização
Todos os irmãos sabem inclusive Vossa Mercê
Somos as marcas eu e Vóis da diacronização
(Ademar Oliveira de Lima)

Tudo conversa mole!!!

Tudo conversa mole!!!

- Escrever é facil pra caramba!
- É só inventar qualquer coisa!
- O papel é bom ele aceita tudo!
Eu escutei isso por aí a fora

Peguei um papel e uma caneta
Pus a mente para funcionar
Virei e revirei a minha caixola
A minha porca torceu o rabo

Não achei rosca alguma
Nem torcendo o parafuso
E o que realmente percebi?

Me senti cansado e irritado
Veja o meu grande resultado:
Sou um escritor fracassado!!
Ademar Oliveira de Lima)

sábado, 24 de outubro de 2009

Sujeição!!!

Todos querem ser um Sujeito
E todos nesta vida estão sujeito
É só ficar em qualquer lugar sujeito
Para ser um belo e propenso sujeito

Pode ser sujeito a guincho
Pode ser sujeito a multa
Pode ser sujeito suspeito
Pode ser sujeito à toa

Pode ser sujeito esperto
Pode ser sujeito certo
Pode ser sujeito aberto

Um Sujeito Simples
Ou um Sujeito posto com
E até Sujeito Indeterminado!
(Ademar Oliveira de Lima)

sábado, 17 de outubro de 2009

Eventos!!!!

ESPAÇO SABINA CULTURAL
Programação
21 de out – quarta – 19h30 :“Prosa, Poesia e Música - Processo de criação.”
Prof. Ademar Oliveira de Lima
Especializado em Literatura e músico
Prof. Maurício Sérgio Dias
Mestre em História e músico

28 de out - quarta – 19h30: “De médico e louco todo mundo tem um pouco”
Reflexões sobre a saúde mental na contemporaneidade
Prof. Wilson Klain
Psicanalista, professor universitário, pós-graduado (PUC-SP) e editor do site Psicologia no Cotidiano

04 de nov – quarta – 19h30: “Escolhas que eu faço”
Dra. Neide Abreu
Médica pediatra, terapeuta de família e casal

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Paixão gramática

Uma grande paixão pela Lingua Portuguesa

Paixão gramática

Era impossível não sentir, de longe, o cheiro de lã queimada. O frio já tinha ido com o sol das nove horas e as crianças nem ligavam, tanta era a euforia conversando na escola na hora do intervalo.

Embaixo da mangueira os dois jovens estudavam para a prova. Um deles aplicadíssimo e o outro nem um pouco. Este último balbuciou algumas palavras:

- Ela é linda...

- Predicado nominal! Exclamou Roberto.

- O meu coração palpita por ela...

- Predicado Verbal! Concluiu novamente.

Com uma cara de interrogação olhou para o amigo e sentenciou:

- Você está louco, Roberto!! Que predicado esse?

- E não é, Rogério? Meu coração é o sujeito simples da oração; palpita é o verbo de ação, portanto Predicado Verbal!!!

- E daí??

- Ora! A professora não disse que tudo o que sobra do sujeito não é predicado?

- Ah! Vá caçar sapo no banhado rapaz!! Eu aqui sonhando com a Débora e você vem me atrapalhar com os predicados!!! Seja mais adulto, olhe os predicados da menina!!! Débora é maravilhosa,... Ela é linda,... seus olhos brilham e sua boca esbanja cultura...

- Sim claro! Esses predicados que você falou, os dois primeiros são nominais, pois existe em cada uma dessas orações, um Sujeito e um Verbo de Ligação fazendo uma ponte entre o Predicativo do Sujeito e o Sujeito; já os dois restantes são predicados verbais porque...

- Basta, chega!!!! Você só pensa em Análise Sintática!

Final do período. Rogério saiu contente de braços com a Débora e Roberto aos pulos com o sucesso na prova.

(Ademar oliveira de Lima)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Águas de Janeiro

Águas de Janeiro


Bernardo, já velho e abandonado no asilo, olhava a chuva de janeiro, seus olhos miravam numa guia de sarjeta as sujeiras que rodavam na enxurrada. Lembrava-se com alegria os momentos que passara com seu neto nas férias do ano anterior.

- Vovô, as chuvas das férias são lindas, não?

- Sim Candinho, não há adjetivos que consigam qualificá-las, muito embora as donas-de-casa não pensem assim. As locuções as condenam.

- O que são locuções, vovô?

-Um Modo especial de falar, linguagem usada pelos falantes.

- Meu pai já comprou os livros da Sétimo ano e no livro de Português está escrito Locução Adjetiva.

- É, Locução Adjetiva faz parte dos Adjetivos, lembra? Aqueles que qualificam os Substantivos?

-Sim, tranqüilamente, o Adjetivo fala da qualidade, do estado e até mesmo do lugar de origem da pessoa. Certo, Vô?

- Certo! A pessoa que nasceu na Espanha é espanhol e esta palavra é um adjetivo pátrio. Agora, Locução Adjetiva é também um adjetivo sabia?

- Meu professor não falou nada disso ainda!

- Falará neste ano, mas eu vou te adiantar algumas coisas para você, se te interessar é claro!

- Claro, Vô! Meu pai diz sempre diz que aprender nunca é demais.

- Locução Adjetiva é um adjetivo com mais de uma palavra.

- Como assim?

- Por exemplo: Amor de mãe, amor entre irmãos, amor de pai, são locuções, pois estão qualificando o tipo de amor sentido, portanto são adjetivos compostos de duas palavras! E tem mais ainda, poderão ser até de mais de duas palavras.

- Mas, Vô! Se tem função de adjetivos, posso então, transformar a locução em adjetivos?

-Claro que pode! Porém, algumas sim, outras não. Vejamos o exemplo que já comentamos:

Amor de mãe = amor materno

Amor de irmão = amor fraterno

Amor de pai = amor paterno.

- Sapatos sem meias, folha de papel, sacola de pano, são Locuções Adjetivas?

- Sim, claro! Os substantivos estão sendo qualificados por duas palavras. Gostei dos seus exemplos, essas locuções encaixam perfeitamente nos casos que não podem ser transformados em um adjetivo, pois não se encontram para cada um, adjetivo que corresponda.

- Sabe Vô! O Senhor é tão inteligente quanto o meu professor!

- Obrigado meu neto, você acaba de usar o grau do adjetivo! Você usou o grau comparativo de igualdade.

- Nem sabia que ele tinha grau!!

- Então você é menos inteligente que a sua irmã!

- Pô! Agora você pisou na bola comigo, vovô!

- É só um exemplo do grau de inferioridade.

- Eu sabia que era um pequeno exemplo. Eu sou inteligentíssimo!!!!

- Agora você usou um adjetivo superlativo absoluto.

- Nossa Vô! Esse negócio não tem fim!

- Não tem! São como as Chuvas de Janeiro... É como a Solidão do asilo... é um estar Sozinho com as pessoas...

Uma lágrima rolou do rosto do velho, misturou-se com os pingos da chuva e seguiu na enxurrada à procura e à espera do neto. Filhos, parecia não tê-los.

(ADEMAR OLIVEIRA DE LIMA)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Parece, mas não é!

Parece mas não é!

Só somos importantes, porque o outro existe!!!


Diz à lenda que à sombra de uma árvore um poeta contemplava a natureza e buscava em seu pequeno dicionário algumas palavras para descrever aquela maravilhosa paisagem. Subitamente o dicionário escapuliu das suas mãos e começou a correr e, dali, saíram muitas palavras, ávidas em participar daquela homenagem.

A bagunça foi tanta que elas passaram a se organizar em classes para apoderarem-se de algumas prerrogativas de grupo. O Substantivo saiu na frente dizendo que o seu valor era de suma importância, pois sem ele seria impossível criar uma poesia, uma vez que haveria necessidade de nomear as coisas.

O adjetivo não deixou por menos. E largou como discurso a frase: “Como representar a beleza da paisagem sem caracterizá-la com a sua participação?” O Substantivo corroído pela fala do colega, dizia que o Adjetivo estava se excedendo, pois como substantivo, pertencia a classe mais importante da Língua Portuguesa e que sozinho era capaz de dar conta do recado.

Prontamente e veementemente foi contestado pelo caracterizador que argumentava ser ele o “grande particularizador” e consequentemente, só ele teria o poder de representar toda a beleza do universo. Encolerizado o outro debatedor foi a fundo na discussão:

- Você é um dependente, sem mim você é ninguém!!

- Olhe-se no espelho – Disse-lhe o Adjetivo – Sem mim você é alguma coisa?

As palavras de outras classes olhavam para aquela discussão com tanto pesar, pois perceberam que a face do poeta foi perdendo a cor e a natureza também percebeu tanto que aos poucos foi ficando cada vez mais triste, os olhares das coadjuvantes cravaram nos lábios do poeta que olhou para natureza e anunciou:


"Ah! Não!

Jamais a verei bradando contra,

Somente agora...

Oh Sim, deverasmente contra!"


Os dois debatedores perceberam no olhar das outras classes de palavras o contentamento, foram reconhecidas as suas importâncias e não conseguiram, do poeta, esconder o risinho de escárnio no canto da boca. A natureza agradeceu a solução com o retorno da alegria e restaurou com o ar de sua beleza.

Os dois debatedores: Substantivo e Adjetivo perceberam que não estavam inclusos como classe de palavras na frase criada pelo poeta. Ficaram envergonhados e sem olhar para nenhum lado enfiaram-se dentro do dicionário e sumiram.

( Ademar Oliveira de Lima)